A fórmula: M = C · (1 + i)t, em que C é o capital inicial, i é a taxa por período (em decimal) e t é o número de períodos. Com aportes mensais, soma-se a parte da série: M = C(1+i)t + A · [((1+i)t − 1) ÷ i].
Exemplo: R$ 1.000 a 1% ao mês por 12 meses → R$ 1.126,83, sendo R$ 126,83 de juros.
O que cada letra significa
- C — capital inicial, o valor que já está aplicado no mês zero;
- i — taxa de juros por período, em decimal (1% = 0,01);
- t — prazo na mesma unidade da taxa (meses com taxa mensal, anos com taxa anual);
- A — aporte por período, quando houver;
- M — montante final, capital mais juros.
O termo (1 + i)t é o que faz a diferença em relação aos juros simples. Ele representa multiplicar o saldo por (1 + i) a cada período, t vezes seguidas — por isso o crescimento é exponencial, e não uma soma fixa de juros.
Passo a passo com um exemplo real
Vamos calcular R$ 1.000 a 1% ao mês por 12 meses, sem aportes, com os juros reinvestidos.
- Converta a taxa para decimal. 1% ao mês = 0,01. A taxa e o prazo já estão em meses, então não há conversão adicional.
- Some 1 à taxa. 1 + 0,01 = 1,01.
- Eleve ao prazo. 1,0112 = 1,126825. Esse é o fator acumulado de 12 meses.
- Multiplique pelo capital. 1.000 × 1,126825 = R$ 1.126,83.
- Separe os juros. R$ 1.126,83 − R$ 1.000,00 = R$ 126,83.
O mesmo cálculo, mês a mês, mostra a base mudando a cada período — é aqui que o “juros sobre juros” aparece:
| Mês | Cálculo | Saldo | Juro do mês |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 1.000,00 × 1,01 | R$ 1.010,00 | R$ 10,00 |
| 2 | R$ 1.010,00 × 1,01 | R$ 1.020,10 | R$ 10,10 |
| 3 | R$ 1.020,10 × 1,01 | R$ 1.030,30 | R$ 10,20 |
| 12 | R$ 1.115,67 × 1,01 | R$ 1.126,83 | R$ 11,16 |
Saldos arredondados para exibição; o cálculo interno usa precisão completa.
Com aportes mensais: a segunda parte da fórmula
Quando você investe todo mês, o capital inicial e a série de aportes crescem separadamente. A parte dos aportes é uma progressão geométrica, cuja soma é:
M = C · (1+i)t + A · [ ((1+i)t − 1) ÷ i ]
Para R$ 1.000 iniciais mais R$ 200 por mês, a 1% ao mês por 12 meses:
- Capital inicial: 1.000 × 1,0112 = R$ 1.126,83.
- Fator da série: (1,0112 − 1) ÷ 0,01 = 12,6825.
- Aportes acumulados: 200 × 12,6825 = R$ 2.536,50.
- Montante: R$ 1.126,83 + R$ 2.536,50 = R$ 3.663,33.
Total investido
R$ 3.400,00
R$ 1.000 + 12 × R$ 200
Juros no período
R$ 263,33
7.7% sobre o investido
Montante final
R$ 3.663,33
Nominal, sem inflação
Detalhe que muda o resultado: o aporte feito no início do mês rende um mês inteiro a mais que o aporte feito no fim. A calculadora adota o fim do mês (o valor entra depois da capitalização daquele mês). Se você aporta no dia 1, o resultado real fica um pouco maior.
Casos especiais que costumam gerar erro
1. Converter taxa anual em mensal
Nunca divida a taxa anual por 12 — isso vale para juros simples. Em juros compostos, a conversão é geométrica:
im = (1 + ia)1/12 − 1
Para 12% ao ano: im = (1,12)1/12 − 1 = 0,9489% ao mês. Aplicando em R$ 1.000 por 12 meses, o montante é R$ 1.120,00 — exatamente os mesmos 12% no ano. Se você usasse 1% ao mês por divisão simples, chegaria a R$ 1.126,83, cerca de 0,61% acima do correto.
2. Inflação e valor real
O montante nominal é o número na conta. Para saber o que ele compra, desconte a inflação:
valor real = M ÷ (1 + f)t/12
No exemplo de R$ 3.663,33 em 12 meses, com inflação de 4,5% ao ano, o valor real é R$ 3.505,58. A diferença de R$ 157,75 é o que a inflação corroeu — não é perda nominal, mas é perda de poder de compra.
3. Taxa zero
Se i = 0, a fórmula composta se reduz a M = C + A · t. Não há juros e o resultado é apenas a soma dos aportes. É um bom teste de sanidade: se a sua planilha não retorna isso com taxa zero, algum termo está errado.
4. Retiradas no meio do caminho
A fórmula fechada pressupõe que nada é retirado. Se você resgata valores, o cálculo precisa ser feito período a período: saldo = saldo anterior × (1+i) + aporte − retirada. É exatamente o que a calculadora faz internamente, ainda que a interface atual não tenha campo de retirada.
Os cinco erros mais comuns
- Misturar taxa anual com prazo em meses (ou o contrário).
- Dividir a taxa anual por 12 em vez de usar a raiz de 12.
- Esquecer de somar os aportes ao total investido antes de calcular os juros.
- Comparar montante nominal com valor real sem descontar a inflação.
- Ignorar imposto de renda, taxa de administração e outros custos.
Calcule sem montar planilha
Informe capital, aporte, taxa e prazo. A calculadora mostra o montante, o total de juros, a evolução ano a ano e o valor real descontada a inflação — tudo no navegador.
Usar a Calculadora de Juros Compostos (grátis)Aviso
Este guia é educacional e não é recomendação de investimento. Os exemplos usam taxa constante, sem impostos ou taxas, e não garantem resultado futuro. Considere sua situação e procure orientação profissional antes de decidir.